Ontem, 1º de janeiro, foi Dia da Confraternização Universal. No entanto, as incessantes críticas a Bolsonaro não cessaram. O motivo é que, enquanto a Bahia sofre com as enchentes, Sua Excelência fica de férias, com nutrida e feliz comitiva, nas belas praias de São Francisco do Sul, Santa Catarina.

Quanta perseguição! Espalha-se nas redes sociais um hashtag ofensivo, o #bolsonarovagabundo, só porque o presidente prefere ficar de férias no Sul a enfrentar, ao vivo e em cores, a tragédia que ocorre no Nordeste. Só que…

*Bolsonaro já esteve na Bahia, em Itamaraju, há pouco menos de um mês. Foi quando sua segurança agrediu repórteres da TV Bahia, lembra-se?
*Ele não está pessoalmente no local da tragédia, mas mostra em atitudes sua solidariedade. Passa boa parte do tempo dentro d`água, ocupando gente e equipamentos da Marinha, que poderiam estar lá, e simbolicamente estão;
*É melhor que fique longe, para não atrapalhar o serviço.

E não é verdade que Sua Excelência tenha se recusado a exercer as sempre exaustivas tarefas que lhe competem para ficar só descansando. Pois fiquem sabendo que o Mito gastará um de seus dias de descanso cansando-se pelo bem da população. Já na próxima quinta-feira, confirma seu assessor especial tenente Mosart Aragão, Bolsonaro participará de um futebolzinho solidário em Buriti Alegre, Goiás, com os cantores Gusttavo Lima, Bruno e Marrone.

E agora, maledicentes, joguem ao mar a hashtag #bolsonaro vagabundo.

Questão de preço

O problema dos críticos do Mito deve ser inveja: só porque vai passear em todo feriado prolongado, com fartas comitivas, amigos, família, e tudo por conta do dinheiro dos impostos, querem controlar suas despesas.

Simples: as do ano passado custaram R$ 2.452.586,11, segundo dados oficiais. Quem não gostaria de ter férias dessas sem ter de pagar por elas?

Hora do Brasil

Em 7 de setembro de 1822, d. Pedro proclamou a Independência do Brasil, até então parte do Reino Unido de Portugal e Algarve. Salvador, na Bahia, foi mantida sob controle por forças portuguesas, comandadas pelo general Madeira de Melo, e só se uniu ao Brasil independente em 2 de julho de 1823, quando os comandantes das forças brasileiras (ambos europeus: o almirante inglês Thomas Cochrane e o general francês Pierre Labatut, trazidos por d. Pedro) receberam a rendição do general Madeira.

Neste ano, o Brasil completa 200 anos de independência. Em São Paulo, será reinaugurado o Museu do Ipiranga, restaurado e modernizado. E no Brasil?

Retomar o caminho

Para o Brasil, uma sugestão do sempre excelente colunista Elio Gaspari (publicada em 29 de dezembro na Folha de S.Paulo e O Globo):

“Parece pouca coisa, mas será uma oportunidade para se pensar numa terra que resolveu andar para a frente com seus 4,7 milhões de habitantes. A máquina do tempo levará os curiosos de 2022 a um bonito momento. No mínimo, livrará os viajantes da mediocridade presente.

“Em agosto de 1822, {José} Bonifácio redigiu um manifesto às nações amigas. Parece pouca coisa, mas vê-se o seu tamanho quando se sabe que, passados dois séculos, sem motivo plausível, o Brasil encrencou com China, Estados Unidos, França e Chile, noves fora a má vontade com as vacinas, questão pacificada antes mesmo de 1822 pelo pai de Pedro.
“D. João 6º criou a Junta Vacínica para conter a varíola. Afinal, ela havia matado o seu irmão. Desde 1817 vacinavam-se crianças no Rio.”

Claro, claro

Tudo bem, cada petista pode pensar o que quiser, desde que faça o que seu ídolo máximo, o ex-presidente Lula, determina que seja feito. Mas vale como curiosidade: José Genoíno é um dos petistas que mais resistem à união entre Lula e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin. Tem prestígio no partido, do qual foi fundador e presidente; quando enfrentou dificuldades enfrentou-as sozinho, não delatou ninguém.

Sem dúvida o partido fará o que Lula quiser. É interessante ler os argumentos de Genoíno (expressos numa live com gente do PSOL) e, mais interessante ainda, entendê-los: “O que está em jogo é se a esquerda socialista será protagonista do enfrentamento do neoliberalismo ou se a esquerda será domesticada, domada para um projeto de melhorismo por dentro de um neoliberalismo com feição progressista”.

Deltan em julgamento

Levou cinco anos, mas a ação de indenização proposta por Lula contra Deltan Dallagnol deve entrar na pauta do Superior Tribunal de Justiça agora em fevereiro. O caso se refere à entrevista coletiva (com PowerPoint) em que o então procurador da Lava Jato colocava Lula no centro de articulações que considerava criminosas. Na opinião de Lula, houve abuso de autoridade.

* Carlos Brickmann é Escritor, Jornalista e Consultor, diretor da Brickmann & Associados Comunicação. Leia o Chumbo Gordo, informação com humor, precisão e bom. Assine a newsletter: chumbogordo.com.br. Curta e acompanhe pelo Facebook. Siga: @CarlosBrickmann  carlos@brickmann.com.br

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