Para quem ainda não acredita no futuro inexorável do carro elétrico é preciso saber que, uma a uma, todas as barreiras vêm sendo derrubadas. Autonomia, desempenho, tempo de recarga e drivebility.

Hoje, restam ainda as barreiras do elevado custo de aquisição, infelizmente longe de ter uma solução palatável para o consumidor comum, e do conhecimento de suas características e reações.

Para isso, o José Carlos decidiu colaborar para derrubar também essa, alugando um carro elétrico em uma das locadoras disponíveis no mercado. O modelo avaliado foi um Nissan Leaf.

O mais interessante e surpreendente é que o carro elétrico é, acima de tudo, muitos carros em um. É 1m26 eclético, polivalente, multifuncional ou como prefira chamar.

Pode ser predominantemente sustentável, não poluente e econômico, sem ser xoxo ou lerdo. Como pode ter um comportamento nervoso, apenas ao toque de um botão, como de um verdadeiro esportivo e até assustar quem está acostumado às reações normais de um automóvel convencional a combustão.

Dirigir um carro elétrico é uma experiência que recomendamos a todos.

Guiar um carro elétrico é acima de tudo um prazer. Silencioso, interna e externamente, suave, agradável e macio.

Conduzir um elétrico está longe de ser chato, entediante ou sem graça. Nos meus 87 anos me senti no dever de acionar o modo ECO e senti, além da economia que proporciona, um convite à segurança, cordialidade no trânsito e tranquilidade.

Também convida a se desfrutar da viagem sem pressa ou riscos, com o grande benefício de não poluir e, praticamente, não fazer ruído.

O ruído parece vir apenas do esfregar dos pneus no asfalto.

Mas é bom ouvir um motorista mais jovem, como o José Carlos.

Pisar suavemente no acelerador é o que propomos na quase totalidade do tempo, mas basta apenas desligar o botão ECO para se ter um carro de respostas imediatas e um surpreendente torque, como se fosse outro veículo, quase um esportivo (fica faltando uma suspensão acertada para mais desempenho e comportamento agressivo).

As respostas são tão fortes que ele canta pneus, isso mesmo, canta pneus nas retomadas se o acelerador for acionado energicamente. A sensação é de se estar guiando um automóvel com motor de mais de 200 cavalos.

Uma das características mais importantes é a segurança e garantia que, na necessidade de uma ultrapassagem de emergência ou saída de uma situação 4m40perigosa, a resposta é absurdamente rápida e eficiente.

Sabemos que o foco do elétrico não é o desempenho (a não ser que seja um modelo mais sofisticado), mas poderia ser. O foco é a sustentabilidade.

Mas para se desfrutar totalmente dessa nova tecnologia é preciso estudar, observar e aprender com as próprias reações e respostas do veículo, seus instrumentos e até o manual do proprietário.

Aí entra uma parte pouco explicada, mas fundamental para quem pretende ter um carro elétrico ou mesmo alugar um para conhecer essa nova tecnologia.

Você sabe quanto tempo leva para carregar o veículo na sua casa? Em 110 ou 220 Volts.

5m40Sabe onde estão os carregadores e quais são seus tipos e para qual aplicação?

Bem aí começamos a abordar temas pouco conhecidos e que ainda não são tão agradáveis quanto a condução.

O Nissan Leaf alugado tinha dois carregadores, um para a residência, com tomada convencional, e outro para recarga nos eletropostos.

Tempo de recarga

O tempo para carregar 30% da bateria (algo equivalente a 100 km de autonomia) foi de 19 horas em uma tomada 110 ou 9h30 em uma tomada 220. Ou seja, uma hora de carga em uma tomada 220V para ter 10 km de autonomia. Acho pouco eficiente.

Mesmo utilizando uma tomada de 220v-20A, pode ser preciso esperar até 12 horas para a carga total, a menos que se invista numa estação de carregamento residencial, e o tempo cai para 6 horas. Mas o preço médio de uma é de R$ 7 mil e demanda obras na residência para quem não tem a rede trifásica.

Ainda muito tempo, não é verdade? E isso para apenas 30% da carga. Ou seja, se deixar a bateria descarregar por completo, precisará ficar ligado na tomada um dia inteiro para recarregar totalmente. Algo ainda muito longe do ideal.

Outra opção são as estações públicas de carregamento, como as de shopping centers, também conhecidas por eletropostos. Além da recarga tradicional, que leva de uma a quatro horas para atingir 100%, existem as Estações de Carregamento Rápidas, que alcançam 80% da capacidade da bateria em cerca de 30 minutos.

Outra vantagem de rodar com veículos elétricos é o menor gasto. Na residência, o consumo de energia elétrica para recarregar 30% foi de cerca de 10-12 kW. Isso dá um gasto de, mais ou menos, 1 kW para cada 10 quilômetros de autonomia, ou menos de 10 centavos de real por quilômetro rodado.

Para quem roda 500 quilômetros em um mês, representará consumo de 50 kW e custo de cerca de 45 reais, contra quase 350 reais de um automóvel a combustão abastecido com gasolina e que faz média de 10 km/l.

Mas tem muito mais que precisamos aprender sobre conduzir e ser o proprietário de um carro elétrico, pois pouco se sabe sobre o que fazer com a bateria no final de sua vida útil e nem o valor para a sua substituição. E será que compensará trocar a bateria ou será melhor trocar de carro?

A verdade é que o carro elétrico já está aí e, por mais que ainda existam dúvidas e incertezas, precisamos nos adaptar e desfrutar dessa nova tecnologia.

*Esta e outras histórias vividas e narradas pelo jornalista Luiz Carlos Secco você pode ouvir no podcast Muito Além de Rodas e Motores. Acesse: https://soundcloud.com/user-645576547/carro-eletrico-muitos-carros-em-um

*Luiz Carlos Secco trabalhou, a partir de 1961 até 1974, na empresa S.A. O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, além da revista AutoEsporte. Posteriormente, transferiu-se para a Ford, onde foi responsável pela comunicação da empresa. Com a criação da Autolatina, passou a gerir o novo departamento de Comunicação da Ford e da Volkswagen. Em 1993, assumiu a direção da Secco Consultoria de Comunicação.

 

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