Com esse título, no dia em que o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco fez sua primeira visita a São Paulo, em 1966, após assumir a presidência da República, fiz uma matéria apresentando o automóvel, o modelo Itamaraty Presidencial, como presente da Willys-Overland do Brasil, que se tornou o primeiro carro brasileiro a fazer parte da frota do Palácio do Planalto.

A indústria automobilística brasileira completava nove anos de atividades e, com ideia do publicitário Mauro Salles, o ousado norte-americano Wiliam Max Pearce, presidente da empresa, deu ordens para o desenvolvimento do automóvel, sob o comando dos estilistas Carlos Mauro de Araújo e Luiz Nemorino Mora e, para a parte mecânica, do engenheiro José Bento Huck.

Seguindo as características básicas dos carros presidenciais, o Itamaraty Executivo foi um automóvel equipado com motor de 3 litros, cambio de quatro marchas, maior distância entre eixos e muito conforto interno, com sistema de ar-condicionado, bancos revestidos em couro e compartimento traseiro para garrafas de água, refrigerantes e alguns petiscos.

Como o carro ainda não estava terminado e, com as informações recebidas de amigos, pedi ao estilista, piloto, desenhista e construtor de automóveis, Anísio Campos, que desenvolvesse uma arte mostrando como seria o novo carro para utilização presidencial. Transmiti a ele as informações que havia recebido e ele produziu um desenho que dava a impressão de uma fotografia tamanha a perfeição do trabalho.

Alguns meses depois, quando ficou pronto, a Willys-Overland do Brasil fez a entrega em solenidade realizada no Palácio do Planalto e o Itamaraty Presidencial ganhou um espaço na garagem ao lado de Cadillac, Lincoln Continental, Ford Town Car e Rolls-Royce, e quebrou uma tradição de um ambiente restrito a carros importados.

Humberto de Alencar Castelo Branco foi presidente do Brasil de 15 de março de 1964 a 18 de julho de 1967 quando ocorreu o acidente aéreo em Fortaleza.

O Itamaraty Presidencial foi utilizado nas posses de Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, e também em outros compromissos oficiais dos presidentes. Além de ter sido o primeiro automóvel nacional a transportar presidentes da República, também inaugurou a fase de carros menos sofisticados, mas de muito luxo também, como ocorreu com o Chevrolet Monza, nos modelos nacional e importado. Itamar Franco, um homem de comportamento singelo, preferia utilizar um Chevrolet Opala da frota presidencial.

Com o uso do Itamaraty Presidencial a indústria nacional passou a ter presença mais forte na frota do governo. No transporte diário e convencional eram trasladados em modelos Ford Galaxie, principalmente por Figueiredo e José Sarney.

Os carros presidenciais no Brasil começaram a ser utilizados em 1907, no governo do presidente Affonso Pena, um modelo C.G.V (Charron, Girardot & Voigt) e, em seguida, pelo marechal Hermes da Fonseca, em 1910.

Depois vieram um Renault Type CB, Lincoln Continental, Ford Town Car e até um Rolls-Royce conversível, marca utilizada transportando presidentes e importantes visitantes por mais de 70 anos. Os automóveis Rolls-Royce foram utilizados nas posses de Café Filho, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Baptista Figueiredo, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Ignácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.

No governo de Fernando Henrique Cardoso os carros mais utilizados foram os modelos Chevrolet Omega, inicialmente o modelo nacional e, algum tempo depois, o Omega produzido na Austrália.

Os Roll-Royce foram utilizados em importantes compromissos oficiais e também conduziram chefes de estado estrangeiros como o presidente francês Charles de Gaulle, em 1964, e a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, em 1968.

*Esta e outras histórias vividas e narradas pelo jornalista Luiz Carlos Secco você pode ouvir no podcast Muito Além de Rodas e Motores. Acesse: https://soundcloud.com/user-645576547/presidente-eis-seu-novo-carro

*Luiz Carlos Secco trabalhou, a partir de 1961 até 1974, na empresa S.A. O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, além da revista AutoEsporte. Posteriormente, transferiu-se para a Ford, onde foi responsável pela comunicação da empresa. Com a criação da Autolatina, passou a gerir o novo departamento de Comunicação da Ford e da Volkswagen. Em 1993, assumiu a direção da Secco Consultoria de Comunicação.

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