Há treze anos, no dia 10 de junho de 2009, a BR Distribuidora confirmava sua aposta na energia solar com a inauguração do primeiro eletroposto público do país, instalado no Rio de Janeiro.

*Compilação do texto publicado em 2010 pela Revista Coisas de Agora

Sonho possível

Quem não gostaria de abastecer seu carro ou moto na tomada de casa ou do condomínio com combustível gratuito obtido da luz solar, percorrer ruas e estradas sem emitir qualquer ruído ou outro tipo de poluição?

Esse desejo já é parcialmente possível e, num futuro não muito distante, plenamente viável não só no Brasil, mas em muitos países que trabalham no desenvolvimento dos veículos elétricos e da energia fotovoltaica.

Em São Bernardo do Campo (SP) e no Rio de Janeiro, já existem eletropostos que não cobram pela carga. No Rio, a BR Distribuidora, a primeira do hemisfério sul a instalar um eletroposto público, planeja instalar mais um a menos de 30 km do atual, na Barra da Tijuca. No futuro, shopping centers, estacionamentos, condomínios comerciais e residenciais, deverão disponibilizar essa opção de serviço.

Cerimônia de inauguração do primeiro eletroposto público do hemisfério sul, em 10 de junho de 2009, na cidade do Rio de Janeiro, iniciativa da BR distribuidora.

Embora tenha poucos clientes ainda, o eletroposto BR tem dado visibilidade à distribuidora da Petrobras, que mostra assim o seu compromisso de buscar energia de fontes renováveis. Segundo representante da empresa, há um em Frankfurt, um na Alemanha, e outro em Indiana, Colorado (EUA).

O que é energia fotovoltaica

A energia fotovoltaica é uma corrente elétrica obtida pela luz do sol através de uma reação química, também chamada de fotossíntese eletrônica, em que os fótons (luz) colidem com os átomos de silício do painel voltaico provocando deslocamento dos elétrons carregados negativamente.

O painel fotovoltaico é formado por semicondutores de silício que contêm células conectadas de 10 e 300 Watts. Vários painéis juntos formam um módulo voltaico que, conectado a um inversor, converte a eletricidade de corrente contínua em corrente alternada que pode ser ligada à rede elétrica convencional ou carregar baterias para movimentar veículos.

A produção de energia fotovoltaica é contínua durante o dia mesmo se estiver nublado ou chuvoso. Não se devem confundir módulos fotovoltaicos, que usam a luz do sol para gerar energia com placas solares que absorvem o calor do sol para aquecer água.

O eletroposto da BR atrai interessados em informações, além de usuários que aproveitam para visitar a loja de conveniência enquanto carregam a bateria pelo período mínimo de uma hora. Um conjunto de 28 módulos formados por painéis fotovoltaicos gera 184 volts em corrente contínua, que é convertida em energia trifásica alternada e oferecida para recarga de motos e carros. O posto cobra R$ 5,00 pelo serviço às scooters e R$ 35 para os carros.

Em São Bernardo do Campo (SP), o eletroposto do Grupo Zeppini, pioneiro, inaugurado em 2008 em frente as instalações da empresa, tem capacidade de gerar 170 kWh/mês, o suficiente para recarregar mensalmente 250 scooters. A energia gerada também é direcionada para a rede interna da empresa.

Eletroposto do Grupo Zeppini em 2021

Os proprietários das cerca de 300 scooters elétricas no Brasil e de alguns automóveis costumam carregar a bateria na tomada da rede elétrica de casa ou do local de trabalho e, em casos esporádicos, utilizam serviços do eletroposto. O consumo da carga de energia de uma scooter acrescenta o equivalente ao de uma lâmpada à conta de luz de uma residência.

Na comparação com uma scooter a gasolina, o consumo da elétrica corresponde a 20%. Enquanto uma gasta 1,2 kW de energia para rodar 40 km a um custo de R$ 0,50, a outra consome um litro, que custa R$ 2,50. E o valor de compra de ambas é equivalente.

Estas vantagens, no entanto, ainda não têm servido de estímulo ao mercado, pois os veículos têm algumas limitações: autonomia de apenas 40 km e velocidade máxima de 50 km/h. Além disso, os componentes dos veículos elétricos ainda são importados e só aumento da demanda levará ao desenvolvimento de fornecedores no Brasil.

A energia grátis fornecida pela luz do sol, da mesma forma, tem os elementos que compõem a estação de geração, também importados e de custo elevado. O investimento  de R$ 200 mil incluiu o projeto, construção do telhado e instalação da estação fotovoltaica. O eletroposto da BR custou menos (R$ 70 mil) porque aproveitou o telhado já existente.

Para o Brasil, que produz 44,7% de energia a partir de fontes renováveis, a opção pela energia fotovoltaica não tem o mesmo apelo dos países que buscam alternativas aos derivados de petróleo, carvão e urânio. A legislação ambiental tem sido um dos principais estímulos à energia fotovoltaica no exterior.

Por causa dessas limitações, os ciclomotores elétricos têm atingido nichos específicos, como shopping-centers, condomínios, que adquirem os veículos para serviços de vigilância e as pessoas físicas as adquirem mais para lazer.

O uso da energia fotovoltaica tem sido debatido na academia e no governo. Especialistas em questões ambientais esperam que o país avance mais rápido no desenvolvimento da energia solar para não perder espaço no mercado. A China, por exemplo, tem investido muito não só para reduzir seus índices de emissões, mas, principalmente visando o mercado externo.

Segundo o Ministério das Minas e Energia, a tecnologia importada para produção de energia fotovoltaica torna o custo dez vezes maior do que o da hidrelétrica. Porém, esse custo tende a cair na medida em que a energia comece a ser usada em residências e prédios comerciais. O governo pretende criar uma usina-piloto para entender a dinâmica desta nova fonte.

N.R. – As informações comerciais, técnicas e de valores monetários dizem respeito ao ano de 2009.

 

Revista Coisas de Agora – Abril de 2010
Texto original: Valdir dos Santos
Fotos: Divulgação / BR Distribuidora
Editor e jornalista responsável: Ricardo Hernandes

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