Todos nós sabemos que, para vencer no automobilismo e ter sucesso nas mais importantes categorias internacionais é preciso vultosos investimentos e grandes patrocinadores. Mas somente isso, que já reduz drasticamente as possibilidades dos pilotos, não basta. É preciso muito mais.

É necessário dedicação total, persistência, comprometimento, além de forças física, mental e psicológica assim como a força da alma e a sensibilidade do coração para resistir o sofrimento que a prática esportiva exige, a confiança na preparação, o poder da mente, o discernimento para as ações a serem tomadas e a fé nas suas possibilidades de vitória.

Esses são alguns dos atributos e competências que um piloto precisa ter na visão de Alex Dias Ribeiro (imagem de abertura), ex-piloto de Fórmula 1 e multicampeão em várias categorias do automobilismo brasileiro e mundial.

Para Alex, um dos desbravadores, depois da geração de Rubens Barrichello e Felipe Massa, os brasileiros não tiveram a renovação de seus ídolos porque muitas coisas mudaram. Ele recorda da luta que os pioneiros enfrentaram a partir da década de 1970, compensando a falta de recursos com um férreo desejo de vencer e o conhecimento mecânico que possuíam.

Também souberam do sacrifício de Emerson, com o apoio de Chico Rosa, residindo num quarto de uma família inglesa que o locava para receber algo que a ajudasse nas despesas necessárias.

Alex levou para a Inglaterra a experiência acumulada pelos dois títulos de campão brasiliense de kart e dois títulos da Fórmula Ford (campeão e vice-campeão brasileiro), além das corridas de longa distância em que participou com o protótipo Patinho Feio, da equipe Camber.

Com muito sacrifício, do qual sente saudade, começou na Fórmula 3 em 1974, conquistando o vice-campeonato inglês e nesse ano também participou de corridas da Fórmula Atlantic, nos Estados Unidos. Em 1975 foi vice-campeão europeu da Fórmula 3, título que repetiu em 1975, ano em que passou para a Fórmula-2 , cumprindo o último estágio antes da Fórmula 1, com vitória no circuito alemão de Nurburgring e classificando-se em quinto lugar no campeonato europeu da categoria.

A estreia na principal categoria do automobilismo mundial foi em 1976, pilotando um Hesketh, modelo 308-C. Em 1977, acertou contrato com a equipe March, fase em que pilotou um modelo 761B, obtendo o oitavo lugar nos Grandes Prêmios da Alemanha e do Canadá.

Em 1979, conduziu o Copersucar nos Grandes Prêmios de San Marino, Canadá e Estados Unidos.

Pela elegância, comportamento exemplar e formação religiosa, que sempre o distinguiram, construiu um elevado nível de prestígio no automobilismo mundial e no âmbito da FIA — Federação Internacional de Automobilismo — que lhe valeram, depois de encerrar sua carreira esportiva, convite para pilotar o Medical Car nas corridas da Fórmula 1.

O mesmo reconhecimento recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro e da CBF que o convidaram para participar, como capelão dos atletas cristãos em vários Jogos Olímpicos disputados e também da seleção brasileira de futebol, nas Copas do Mundo da Itália, Estados Unidos, França e Coreia e Japão.

Depois de todas as conquistas na pista e fora delas, Alex, um homem de muita fé, seguiu sua vocação e também foi autor dos diversos livros: “Mais que vencedor”, “Ninguém vence sozinho” e “Sucesso e significado”. Um deles foi traduzido em inglês, espanhol e árabe e outro foi premiado pela ABEC (Associação Brasileira de Escritores Científicos) eleito a melhor biografia do ano, lançado pela editora Hagnos.

Hoje, lamenta que os brasileiros amainaram o ímpeto de lutar e, com isso, os torcedores não tiveram mais ídolos como ocorreu no passado. A Imprensa também perdeu entusiasmo e, mesmo com vitórias brasileiras no exterior, é difícil ler em jornais os resultados conquistados.

A quem não se recorda de Alex Dia Ribeiro ou não chegou a ver suas atuações, recomendo procurar informações na internet. No automobilismo, o carro tem muita importância nos resultados dos pilotos e para ilustrar melhor lembro do inglês Lewis Hamilton, que neste ano ainda não repetiu as atuações obtidas dos últimos sete anos. Seu melhor resultado deste ano foi terceiro lugar no Grande Prêmio do Canadá, obtido no último dia 19 de junho. Mas assim que sua equipe acertar o carro, ele voltará ao clima de vitórias.

*Esta e outras histórias vividas e narradas pelo jornalista Luiz Carlos Secco você pode ouvir no podcast Muito Além de Rodas e Motores. Acesse: https://soundcloud.com/user-645576547/a-forca-da-alma-e-a-sensibilidade-do-coracao-para-vencer-no-automobilismo

*Luiz Carlos Secco trabalhou, a partir de 1961 até 1974, na empresa S.A. O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, além da revista AutoEsporte. Posteriormente, transferiu-se para a Ford, onde foi responsável pela comunicação da empresa. Com a criação da Autolatina, passou a gerir o novo departamento de Comunicação da Ford e da Volkswagen. Em 1993, assumiu a direção da Secco Consultoria de Comunicação.

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