O agronegócio tem impulsionado a economia brasileira nos últimos anos. Saímos de uma safra recorde, do último verão, e caminhamos para outro recorde em poucos meses pela frente. E isso tudo com os desafios impostos pela covid-19. O novo coronavírus pegou todos de surpresa e segue desafiando o Brasil e o mundo em diversas esferas. Muitos chegaram a afirmar que a pandemia “parou o mundo”. Mas a agricultura não parou, o agronegócio não pode parar.

Responsável por 21,4% do PIB brasileiro segundo o censo de 2019, o agronegócio é um segmento essencial. Estamos falando da produção de alimentos e de produtos que abastecem a dezenas de cadeias da indústria, incluindo alimentos, farmacêuticos, têxtil e de cosméticos, entre outras. Portanto, o setor precisou agir rapidamente para enfrentar a crise. O momento pediu agilidade, flexibilidade e mais inovação.

A indústria precisou se organizar para dar suporte ao agricultor e ajudá-lo na continuação do trabalho. E fez isso priorizando a saúde e a segurança de seus colaboradores e familiares. O setor sempre seguiu protocolos muito rígidos de saúde e segurança, mas vimos na pandemia oportunidades de incluir novos procedimentos e rotinas, ainda mais completos e exigentes.

Também foi preciso implantar novos canais de comunicação, explorar os canais online e buscar novas tecnologias para conectar pessoas e se aproximar do produtor, mesmo com isolamento social. Sempre com foco no cliente, fomos desafiados a repensar a maneira como nos relacionamos com eles para continuar a atender suas necessidades de forma ainda mais segura, eficaz e sustentável.

Muitas dessas mudanças vieram para ficar. A integração entre o contato físico com clientes e o mundo online é sem volta. No chamado “novo normal” essas duas formas de se relacionar são cada vez mais mescladas e estamos todos experimentando novas maneiras de estarmos juntos, próximos, e contribuir para o avanço do agro brasileiro.

Mas e o futuro da indústria de máquinas agrícolas, como fica? Entendo que esse futuro já começou. Grandes empresas do setor já investiam muito em inovação, digitalização, servitização e automação, e se preocupavam em oferecer produtos e serviços que, além de apresentarem ganho de produtividade e eficiência, também contribuem para a diversidade, a inclusão e a sustentabilidade. O novo cenário trazido pela pandemia aqueceu essas discussões e impulsionou o mercado nesse sentido.

Os principais fabricantes seguem o caminho da automatização, em que uma máquina agrícola conseguirá desempenhar funções agronômicas e industriais em ambientes complexos, por meio da adaptação de suas operações sempre que necessário sem intervenção humana e com altos níveis de produtividade. Também vemos grandes esforços do setor para levar Internet ao campo. Essa conectividade tem potencial de transformar a eficiência do agronegócio, promover a inclusão digital para quem vive em áreas rurais e propiciar a integração logística nas vias de transporte.

Diversidade, acessibilidade e inclusão também ganharam destaque. Percebemos aumentos consideráveis em investimentos em Diversidade e Inclusão (D&I), o que reflete um dos valores que regem o nosso negócio: o respeito pelas pessoas. A promoção da diversidade, cultural ou de gênero, ganha força e espaço nas discussões da evolução da nossa indústria.

A presença de mulheres na liderança de propriedades rurais, por exemplo, cresce gradativamente e a indústria passou a enxergar a importância de entender os principais pontos que envolvem o agronegócio sob a perspectiva feminina, para atender às exigências dessas produtoras. As mulheres já comandam mais de 30% das propriedades rurais produtivas do País. São donas das propriedades, empresárias e tocam seus negócios no dia a dia como executivas.

A promoção da inclusão e o acesso de todos à vida no campo também é uma realidade. Vemos empresas cada vez mais preocupadas em desenvolver soluções que atendam a necessidades específicas de cada produtor rural e que ajudem no trabalho no campo, seja para uma pessoa com mobilidade reduzida ou com alguma outra necessidade especial.

Todos esses avanços já faziam parte da agenda da agroindústria, mas ganharam força com a pandemia da covid-19. Arrisco dizer que quando as restrições impostas pela doença acabarem, muitos produtores terão outra realidade no campo: mais moderna, digital, diversa, inclusiva e com altos ganhos em produtividade.

* Vilmar Fistarol é presidente da CNH Industrial para América do Sul e chairperson do 12º Simpósio SAE BRASIL de Máquinas Agrícolas.

Esses e outros temas relevantes para o segmento serão apresentados por especialistas no 12º Simpósio SAE BRASIL de Máquinas Agrícolas, dia 7 de outubro às 8h30

SAE Brasil
Companhia de Imprensa

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